Tem gente que organiza tudo em vida: documentos, testamento, aquela gaveta com papéis importantes. Mas esquece de uma coisa: parte da sua vida hoje não está em nenhuma gaveta. Está em servidor, em nuvem, atrás de senha.
Em resumo: quando alguém morre, o perfil não desaparece com a pessoa. Ele fica ali, esperando alguém resolver. E cada plataforma resolve isso do seu jeito, com regras bem diferentes entre si. No Brasil, nem existe lei específica sobre isso ainda.
No Facebook, você decide antes. Existe o contato do herdeiro: alguém escolhido por você, em vida, para cuidar da parte pública do seu perfil caso vire memorial. Essa pessoa pode fixar uma publicação de despedida, trocar a foto do perfil, até pedir a remoção da conta. Mas não entra nas suas mensagens, não apaga amigos, não bisbilhota o que era só seu. As memórias ficam preservadas. A intimidade continua protegida.
No Instagram é diferente: você não decide nada antes. Tudo só começa depois que alguém pede, com prova do falecimento em mãos. Dá pra transformar em memorial ou remover de vez, mas, nesse último caso, só para familiares próximos, com documentação. E mesmo assim, a senha nunca é entregue. As conversas privadas continuam trancadas, para sempre.
No Google, dá pra deixar tudo redondinho. O Gerenciador de Contas Inativas permite escolher até dez pessoas de confiança e definir exatamente o que cada uma pode receber: fotos do Google Fotos, arquivos do Drive, sem entregar nenhuma senha. Só um detalhe que dói: se você não configurar nada, depois de dois anos de inatividade a conta pode ser excluída. Dois anos. Esse é o tempo que separa uma perda do desaparecimento de fotos de família que ninguém sabia que estavam guardadas ali.
E a lei brasileira? Ainda não chegou lá. O STJ começou a discutir o assunto em agosto de 2025, com uma proposta de separar bens digitais patrimoniais (que teriam valor econômico e iriam para os herdeiros) dos bens existenciais (mensagens, fotos íntimas, diários, que, em regra, não se transmitem). Só que esse julgamento foi suspenso por pedido de vista. Não terminou. Quem diz que “o STJ já decidiu” antecipa um resultado que ainda não existe.
Não é mórbido pensar nisso. É cuidado. Configurar o contato herdeiro, ajustar o Gerenciador de Contas Inativas, e principalmente: contar pra alguém que você fez isso. De nada serve deixar tudo organizado se ninguém sabe que aquilo existe.
Uma conversa de vinte minutos hoje pode ser, um dia, a diferença entre a sua família perder tudo e guardar cada fotografia de uma vida inteira.
O texto completo no blog traz os detalhes de cada plataforma, o que fazer passo a passo e o que ainda está em aberto na Justiça: https://denisonluz.com/blog/o-que-acontece-com-suas-redes-sociais-quando-voce-morre/ 🤍
Artigo completo: https://denisonluz.com/blog/o-que-acontece-com-suas-redes-sociais-quando-voce-morre/

